STJ Condena Ex-Governador a 25 Anos: Entenda como Funciona o Julgamento de Autoridades por Peculato e Corrupção
O Superior Tribunal de Justiça condenou o ex-governador do Acre, Gladson Cameli, a 25 anos de prisão, em julgamento da Ação Penal 1.076, por esquema de corrupção envolvendo peculato, relatado pela ministra Nancy Andrighi e julgado pela Corte Especial do tribunal, com condenação proferida em 6 de maio de 2026. Mais do que analisar o caso específico, este artigo tem como objetivo explicar, de forma técnica e sóbria, como funciona o rito processual aplicável a autoridades com foro por prerrogativa de função — o chamado "foro privilegiado" — em processos por crimes como peculato e corrupção.
O que é o foro por prerrogativa de função
O foro por prerrogativa de função é a regra constitucional que determina que determinadas autoridades — como governadores, parlamentares federais, ministros de Estado e membros do Judiciário, entre outras — sejam processadas e julgadas, em matéria criminal, diretamente por tribunais superiores, e não pela primeira instância. No caso de governadores de Estado, a competência para processar e julgar crimes comuns é do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do artigo 105, inciso I, alínea "a", da Constituição Federal.
O que é a ação penal originária
Quando um processo criminal tramita diretamente perante um tribunal, em razão do foro por prerrogativa de função, ele é chamado de ação penal originária — porque o processo nasce (origina-se) já naquele tribunal, sem passar por instâncias inferiores. Diferente do trâmite comum, em que o processo pode percorrer diversas instâncias até chegar a um tribunal superior por meio de recursos, a ação penal originária já tem, desde o início, o próprio tribunal superior como juízo natural da causa.
Como funciona, em linhas gerais, o rito desse tipo de processo
Embora cada ação penal originária tenha suas particularidades, o rito costuma seguir etapas como:
- Abertura de inquérito ou investigação, muitas vezes conduzida sob supervisão do próprio tribunal competente para o eventual julgamento;
- Oferecimento de denúncia pelo Ministério Público, submetida ao tribunal para recebimento;
- Instrução processual, com produção de provas, incluindo documentos, perícias e oitiva de testemunhas, sob condução de um ministro relator;
- Apresentação de defesa técnica e alegações finais pelas partes;
- Julgamento pelo colegiado competente — no caso de governadores, em regra a Corte Especial do STJ —, com possibilidade de recursos aos tribunais superiores, conforme a matéria.
Peculato e corrupção: os tipos penais em jogo
O peculato, previsto no artigo 312 do Código Penal, consiste, em sua modalidade mais comum, na apropriação ou desvio de bens, dinheiro ou valores públicos por funcionário público que tem a posse desses bens em razão do cargo. Já os crimes de corrupção, em suas diversas modalidades (como corrupção passiva e ativa, previstas nos artigos 317 e 333 do Código Penal), envolvem a solicitação, o recebimento ou a oferta de vantagem indevida em razão da função pública exercida. Em casos que envolvem esquemas mais amplos, é comum que essas imputações apareçam de forma conjunta, refletindo diferentes etapas de um mesmo esquema de desvio de recursos públicos.
Este texto tem finalidade exclusivamente informativa sobre o funcionamento do rito processual aplicável a autoridades com foro por prerrogativa de função, com base nos dados públicos divulgados pelo STJ sobre a Ação Penal 1.076, relatada pela ministra Nancy Andrighi, com condenação proferida em 6 de maio de 2026. Não é objetivo deste artigo emitir juízo de valor sobre a pessoa do condenado, e cabe registrar que decisões dessa natureza podem estar sujeitas a recursos, conforme a legislação processual aplicável.
Processos que envolvem autoridades com foro por prerrogativa de função costumam atrair grande atenção pública, mas seu funcionamento segue regras processuais técnicas, com etapas e garantias próprias — inclusive quanto ao direito de defesa e à possibilidade de recursos. Entender esse rito ajuda a compreender, de forma mais informada, como a Justiça brasileira lida com acusações desse tipo contra ocupantes de cargos públicos de alto escalão.
A equipe de Direito Criminal da Schwab Alonso Advogados, em Brasília, atua em processos criminais envolvendo autoridades com foro por prerrogativa de função, incluindo acusações de peculato e corrupção; casos podem ser levados ao escritório pelo telefone (61) 99622-0324.
Fontes e referências
Perguntas frequentes
Dúvidas comuns sobre o tema
O que é o foro por prerrogativa de função?
É a regra constitucional segundo a qual determinadas autoridades, como governadores de Estado, são processadas e julgadas em matéria criminal diretamente por um tribunal superior — no caso de governadores, o STJ — e não pela primeira instância.
O que significa uma ação penal ser "originária"?
Significa que o processo criminal nasce diretamente perante o tribunal competente, em razão do foro por prerrogativa de função, sem passar por instâncias inferiores antes de chegar àquele tribunal.
O que é o crime de peculato?
Previsto no artigo 312 do Código Penal, consiste, em sua modalidade mais comum, na apropriação ou desvio de bens, dinheiro ou valores públicos por funcionário público que tem a posse desses bens em razão do cargo que ocupa.
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